Bezerra de Menezes: Biografia, vida, desencarnação, obra e histórias

Olá amigo(a) do Conteúdo Espírita, hoje vamos falar sobre quem foi Bezerra de Menezes: grande expoente da Doutrina Espírita, médico, militar, escritor, jornalista, político e filantropo. Conheça a biografia de Adolfo Bezerra de Menezes, ou também conhecido como “médico dos pobres”, neste artigo.

Quem foi Adolfo Bezerra de Menezes?

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, nasceu em vinte e nove de agosto de 1831, na pequena localidade de Riacho do Sangue, no estado do Ceará.

Médico e Político

Bezerra de Menezes foi:

  • Cirurgião-Tenente do Corpo de Saúde do Exército,
  • Sócio efetivo da Academia Nacional de Medicina,
  • Vereador para a Câmara Municipal da Corte e seu Presidente,
  • Deputado da Câmara Federal,
  • Membro efetivo e honorário da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional,
  • Membro do Conselho e Sócio Benemérito da Sociedade Propagadora de Belas Artes,
  • Membro do Liceu de Artes e Ofícios,
  • Presidente da Sociedade de Beneficência Cearense,
  • Presidente da Federação Espírita Brasileira em 1889,
  • Vice-Presidente em 1890 e 1891,
  • Novamente Presidente de 1895 até a sua desencarnação em 1900.

Escritor e Jornalista

Como escritor, escreveu:

  • Os romances Lázzaro, o Leproso e A Casa Assombrada,
  • Foi também autor de A Loucura Sob Novo Prisma,
  • Um estudo psíquico Filosófico,
  • Uma Carta de Bezerra de Menezes, que se traduziu em sua profissão de fé,
  • Também Estudos Filosóficos, dois volumes contendo a maioria dos seus artigos, publicados no jornal “O País”, entre outras obras.

Filantropo e expoente da Doutrina Espírita

Foi também filantropo, e grande expoente da Doutrina Espírita, ficou conhecido como “o médico dos pobres” e desencarnou á 11 de abril de 1900 na cidade do Rio de Janeiro.

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Biografia de Bezerra de Menezes

Aos sete anos de idade, ingressou na escola pública de Vila do Frade, localidade próxima ao Riacho do Sangue, onde em dez meses, aprendeu os princípios da educação elementar.

Aos onze anos de idade, Bezerra foi matriculado na aula pública de Latim, na Serra dos Martins, no Rio Grande do Norte, onde passou a residir a partir do ano de 1842, com sua família. Após dois anos estudando o latim, já substituía o professor em classe, quando este, por algum motivo, tinha que se ausentar.

Em 1846 sua família retornou ao Ceará, fixando residência na capital, Fortaleza, e Bezerra foi matriculado no Liceu do Ceará, onde concluiu seus estudos preparatórios.

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O médico Dr. Bezerra de Menezes

Dr. Bezerra de Menezes - Médico dos Pobres

Em 1851, ano de falecimento de seu pai, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde naquele mesmo ano iniciou os estudos na Faculdade de Medicina.
Em novembro do ano seguinte, ingressou como residente no hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Para prover os seus estudos, dava aulas particulares de filosofia e matemática.

Diagnóstico do Cancro

Graduou-se em 1856, com a defesa da tese: “Diagnóstico do Cancro”. Nesse ano, o Governo Imperial decretou a reforma do Corpo de Saúde do Exército Brasileiro, e nomeou para chefiá-lo, como Cirurgião-mor, o Dr. Manuel Feliciano Pereira Carvalho, seu antigo professor, que o convidou para trabalhar como seu assistente.

Em 1858, candidatou-se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Nesse ano saiu a sua nomeação oficial como assistente do Corpo de Saúde do Exército, no posto de Cirurgião-Tenente e, a 6 de novembro, desposou Maria Cândida de Lacerda, que viria a falecer de mal súbito em 24 de março de 1863, deixando-lhe dois filhos, um de três e outro de um ano de idade.

Redator dos Anais Brasilienses de Medicina

No período de 1859 a 1861, exerceu a função de redator dos Anais Brasilienses de Medicina, periódico da Academia Imperial de Medicina.

Em 1865, desposou, em segundas núpcias, Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã por parte de mãe de sua primeira esposa, e que cuidava de seus filhos até então, com quem teve mais sete filhos.

Médico dos pobres

Por sua postura de médico caridoso, atendendo pessoas que necessitavam, mas não podiam pagar, Bezerra doou o seu anel de grau em medicina a uma mãe, para que comprasse os remédios de que seu filho precisava. E tinha como norte principal de sua vida, a seguinte diretriz:

“O médico verdadeiro é isto: não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto… O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado e achar-se fatigado ou por ser alta à noite, mau o caminho e o tempo, ficar perto ou longe do morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro — esse não é médico, é negociante da medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura”.

Bezerra de Menezes na Política

Dr. Bezerra de Menezes na Política

No final dos anos 1850, a Câmara Municipal do Município Neutro tinha como presidente Roberto Jorge Haddock Lobo, do Partido Conservador. Ao mesmo tempo, Bezerra de Menezes já se notabilizara pela atuação profissional e pelo trabalho voltado à população carente.

Desse modo, em 1860, em uma reunião política, alguns amigos levantaram a candidatura de Bezerra de Menezes, pelo Partido Liberal, como representante da paróquia de São Cristóvão, onde então residia, à Câmara. Ciente da indicação, Bezerra recusou-a inicialmente, mas, por insistência, acabou se comprometendo apenas em não fazer uma declaração pública de recusa dos votos que lhe fossem outorgados.

Eleição e exoneração

Abertas as urnas e apurados os votos, Bezerra fora eleito. Os seus adversários, liderados por Haddock Lobo, impugnaram a posse sob o argumento de que militares de Segunda Classe não podiam exercer o cargo de vereador. Desse modo, para apoiar o Partido, que necessitava dele para obter a maioria na Câmara, decidiu requerer exoneração do Corpo de Saúde. Desfeito o impedimento, foi empossado no mesmo ano.

Foi reeleito vereador da Câmara Municipal do Município Neutro, para o período de 1864 a 1868.

Deputado, vereador e presidente

Foi eleito deputado Provincial pelo Rio de Janeiro em 1866, apesar da oposição do então primeiro-ministro Zacarias de Góis e dos chefes liberais — senador Bernardo de Sousa Franco e deputado Francisco Otaviano de Almeida Rosa. Empossado em 1867, a Câmara dos Deputados foi dissolvida no ano seguinte (1868), devido à ascensão do Partido Conservador.

Retornou à política como vereador no período de 1873 a 1885, ocupando várias vezes as funções de presidente interino da Câmara Municipal, efetivando-se em julho de 1878, cargo que corresponderia atualmente ao de Prefeito.

Iniciativas pioneiras

Foi eleito deputado geral pela Província do Rio de Janeiro, no período de 1877 a 1885, ano em que encerrou a sua carreira política. Neste período acumulou o exercício da presidência da Câmara e do Poder Executivo Municipal. Em sua atuação como deputado, destacam-se algumas iniciativas pioneiras:

  • Buscou, através de projeto de lei, regulamentar o trabalho doméstico, visando conceder a essa categoria, inclusive, o aviso prévio de 30 dias;
  • Denunciou os perigos da poluição que já naquela época afetava a população do Rio de Janeiro, promovendo providências para combatê-la.

Foi membro, a partir de 1882, das Comissões de Obras Públicas, Redação e Orçamento.

Bezerra de Menezes e a Doutrina Espírita

Dr. Bezerra de Menezes e o espiritismo

Bezerra conheceu a Doutrina Espírita quando do lançamento da tradução em língua portuguesa de “O Livro dos Espíritos”, em 1875, através de um exemplar que lhe foi oferecido com dedicatória pelo seu tradutor, o também médico Dr. Joaquim Carlos Travassos. Sobre o contato com a obra, o próprio Bezerra registrou posteriormente:

“Deu-me na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, Deus! Não hei de ir para o inferno por ler isto… Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!… Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no ‘O Livro dos Espíritos’. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença”.

Contribuiu para a sua adesão o contato com as “curas extraordinárias” obtidas pelo médium João Gonçalves do Nascimento, em 1882.

Artigos doutrinários

Com o lançamento do periódico Reformador, por Augusto Elias da Silva em 1883, passou a colaborar com a redação de artigos doutrinários.

Após estudar por alguns anos as obras de Allan Kardec, em 16 de agosto de 1886, aos cinquenta e cinco anos de idade, perante grande público, estimado, conforme os seus biógrafos, entre mil e quinhentas e duas mil pessoas, no salão de conferências da Guarda Velha, no Rio de Janeiro, em longa alocução, justificou a sua opção em abraçar o Espiritismo.

Jornal “O País”

O evento chegou a ser referido em nota publicada pelo jornal “O País”, periódico de maior circulação da época.

No ano seguinte, a pedido da Comissão de Propaganda do Centro da União Espírita do Brasil, inicia a publicação de uma série de artigos sobre a Doutrina em “O País”.

Na seção intitulada “Espiritismo – Estudos Filosóficos”, os artigos saíram regularmente aos domingos, no período de 23 de outubro de 1887 a dezembro de 1893, assinados sob o pseudônimo “Max”.

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Movimento Espírita

Na década de 1880, o incipiente movimento espírita na capital e no país, estava marcado pela dispersão de seus adeptos e das entidades em que se reuniam. Já havia também uma clara divisão entre dois “grupos” de espíritas: os que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso (maior grupo, o qual se incluía Bezerra) e os que não aceitavam o Espiritismo nesse aspecto.

Em 1889, Bezerra foi percebido como o único capaz de superar as divisões, vindo a ser eleito presidente da Federação Espírita Brasileira.

Nesse período, iniciou o estudo sistemático de “O Livro dos Espíritos” nas reuniões públicas das sextas-feiras, passando a redigir o Reformador; exerceu ainda a tarefa de doutrinador de Espíritos obsessores.

Presidente do Congresso Espírita Nacional

Organizou e presidiu um Congresso Espírita Nacional, com a presença de 34 delegações de instituições de diversos estados. Assumiu a presidência do Centro da União Espírita do Brasil a 21 de abril e, a 22 de dezembro de 1890, oficiou ao então presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, em defesa dos direitos e da liberdade dos espíritas contra certos artigos do Código Penal Brasileiro de 1890.

De 1890 a 1891, foi vice-presidente da FEB (Federação Espírita Brasileira) na gestão de Francisco de Menezes Dias da Cruz, época em que traduziu o livro “Obras Póstumas” de Allan Kardec, publicado em 1892. Em fins de 1891, registravam-se importantes divergências internas entre os espíritas e fortes ataques exteriores ao movimento.

Bezerra de Menezes afastou-se por algum tempo, continuando a frequentar as reuniões do Grupo Ismael e a redação dos artigos semanais em “O País”, que encerrou ao final de 1893. Aprofundando-se as discórdias na instituição, foi convidado em 1895, a reassumir a presidência da FEB. Nesta gestão iniciou o estudo semanal de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, fundou a primeira livraria espírita no país e ocorreu a vinculação da instituição ao Grupo Ismael e à Assistência aos Necessitados.

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Bezerra e Kardec

Pela atuação destacada no movimento espírita da capital brasileira no último quartel do século XIX, Bezerra de Menezes foi considerado um modelo para muitos, especialmente para os espíritas. Seu imenso amor a Jesus, a Maria, a Mãe Santíssima e ao seu próximo, sua índole caridosa, a perseverança, e a disposição amorosa para superar os desafios. Essas características, somadas à sua militância na divulgação e na reestruturação do movimento espírita no país, fizeram com que fosse considerado o “Kardec Brasileiro”, numa homenagem devida ao papel de relevância que desempenhou.

Bezerra prossegue a amparar e orientar aos seus irmãos do caminho, que prosseguem através das reencarnações sucessivas, desenvolvendo os potenciais de filhos de Deus, rumando, portanto à perfeição, também Bezerra é escolhido como benfeitor por uma quantidade muito grande de instituições espíritas pelo Brasil e pelo mundo, que lhe homenageiam com o seu nome, o nome da Instituição Espírita.

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A Desencarnação de Bezerra de Menezes e o Despertar no Mundo Espiritual

Dr. Bezerra de Menezes Desencarne e o despertar no mundo espiritual

Alcançando alta elevação espiritual e conquistando títulos de nobreza, por uma vida longa, totalmente dedicada ao bem e ao próximo, a exemplo de grandes vultos da humanidade, esquecido de si próprio, o “médico dos pobres”, ao despertar no além-túmulo, na vida que prossegue, o que se deu rapidamente, em razão principalmente da vida que desenvolveu em sua última experiência no corpo, totalmente desprendido da matéria, ciente dos objetivos maiores da existência, amar e servir, Bezerra é despertado do processo letárgico por alguns espíritos de escol, nobres, e informado de seu regresso à pátria espiritual.

É quando, da ambiência em que se encontrava, através de uma janela, ele se refere a um ruído vindo do exterior, ao que os amigos que ali o recebiam, o convidam a que se aproxime da janela e veja por si próprio o de que se tratava. Ao se aproximar Bezerra é tomado de grande surpresa, pois depara-se com uma multidão sem fim e pergunta aos amigos, quem eram aquelas pessoas.

E estes anjos bondosos, lhe redarguem tratar-se de pessoas que cruzaram com o seu caminho na Terra e tinham recebido o seu auxílio, a sua ternura, o seu amor, e que os demais eram amigos e parentes daqueles todos que de uma ou outra forma, foram por ele, Bezerra, auxiliados, demonstrando o longo alcance, os infinitos laços da família Universal a que referiu-se Jesus.

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Conclusão

Bezerra de Menezes prossegue ainda hoje vinculado ao planeta Terra, abençoada escola de almas, trabalhando por auxiliar a todos nós que trazemos dificuldades diversas e imperfeições inúmeras, seus irmãos da retaguarda, e através da mediunidade abençoada de Divaldo Pereira Franco, a “trombeta” do Cristo, o Arauto do Evangelho, nosso querido benfeitor Dr. Bezerra, como carinhosamente é conhecido, comparece em alguns eventos Espíritas, trazendo suas palavras de consolo, de estímulo e orientações para que tenhamos certeza de que realmente o Mestre dos Mestres, o Amigo dos que não tem Amigos, Jesus, não nos deixou órfãos.

 

Referências bibliográficas

– Wikipédia.
– Lindos Casos de Bezerra de Menezes – Editora Lake – 12ª edição.

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