Princípios do Espiritismo: Os 5 princípios básicos da Doutrina Espírita

Quem é iniciante nos estudos da Doutrina Espírita ou simpatizante pode ainda desconhecer os princípios do Espiritismo.

Entretanto, conhecer os fundamentos básicos da obra codificada por Allan Kardec é essencial para compreender todos os demais conteúdos.

Por essa razão, preparamos este artigo, com os cinco princípios da Doutrina Espírita, para você entender quais são as crenças, as características e as práticas do Espiritismo, e não confundir com outras doutrinas.

Acompanhe a seguir!

Quais são os 5 princípios do Espiritismo?

O Espiritismo surgiu na França, em 1857, por Hippolyte Léon Denizard Rivail, um pedagogo e educador que usou o pseudônimo Allan Kardec nos livros da Doutrina Espírita codificada por ele.

Diante de um fenômeno conhecido como “mesas girantes”, em que mesas se moviam  pela comunicação dos espíritos, ele foi convidado a assistir uma dessas reuniões e passou a analisar os fenômenos de uma forma científica e com muito bom senso.

Durante sua pesquisa, descobriu que a manifestação do mundo espiritual era verdadeira.

Kardec, então, decidiu aprofundar seus estudos e, com a ajuda de médiuns, interrogou os espíritos sobre uma série de questões.

Este trabalho deu origem à codificação do Espiritismo, cujos princípios da Doutrina Espírita são:

1. Existência de Deus

Para o Espiritismo, “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” (Questão nº 1 de O Livro dos Espíritos).

Deus é eterno, ou seja, não teve início nem terá fim..

É imutável, e suas leis são estáveis.

É também imaterial, então, não é formado de matéria como conhecemos.

Deus é único, e portanto, não há nada nem ninguém como Ele.

É onipotente, isto é, que pode tudo.

Ele ainda é soberanamente justo e bom.

Suas leis e princípios são perfeitos, e não podemos duvidar de forma nenhuma da bondade e da justiça divina.

Deus é o criador do Universo e basta olhar à nossa volta para ver a perfeição da obra.

2. Existência e sobrevivência da Alma ou Imortalidade da Alma (ou espírito)

Segundo a Doutrina Espírita, a vida continua após a morte.

A morte nada mais é do que o perecimento do corpo físico.

O espírito, ou seja, a nossa alma, permanece sempre viva.

A carne é apenas um instrumento utilizado para uma experiência que visa o progresso espiritual.

A vida na Terra, portanto, é apenas uma passagem.

O mundo espiritual é nossa origem e nosso verdadeiro lar.

3. Pluralidade das Existências ou Reencarnação

Outro princípio fundamental do Espiritismo é a reencarnação.

Reencarnar significa “entrar de novo na carne”.

Em outras palavras, o espírito pode voltar ao corpo físico diversas vezes, de acordo com o seu grau de adiantamento.

Além disso, sua evolução indica o local da reencarnação.

4. Comunicabilidade dos Espíritos ou Mediunidade

A comunicação entre o mundo físico e o espiritual é um dos princípios essenciais da Doutrina Espírita.

Essa interlocução é possível  pelo fenômeno da mediunidade.

De acordo com o Espiritismo, todos os indivíduos têm potencial mediúnico, mas nem todos desenvolvem a habilidade em alto grau ao longo da vida terrena.

Além disso, a mediunidade pode se apresentar de diversas formas.

médiuns sensitivos, de incorporação, de cura, clarividentes, clariaudientes, etc.

5. Pluralidade dos Mundos Habitados

A Terra não é o único lugar que pode ser habitado.

Há diversos mundos inferiores e superiores que podem servir de moradas para os espíritos, como se referiu Jesus em João 14:2:

“Há muitas moradas na casa de meu Pai”.

Leia também: Colônia Espiritual: 4 colônias espirituais no Brasil

Princípios secundários da Doutrina Espírita que ajudam a entendê-la:

1. Lei de causa e efeito

A lei de causa e efeito é um dos mais importantes princípios que regem o Universo.

De acordo com a lei, para todo efeito existe uma causa.

Ou, para cada ação há uma reação.

Isso significa que todos os nossos comportamentos refletem-se como consequências para o nosso espírito.

Essas consequências, por sua vez, não se limitam à reencarnação atual.

Os fardos podem acompanhar o espírito por inúmeras existências.

Este princípio ajuda-nos a entender as diferenças intelectuais, sociais e morais da sociedade terrena e que nossos sofrimentos são os efeitos dos nossos comportamentos equivocados, fora da Lei Divina.

2. Livre-arbítrio

Um dos fatores que influenciam na lei de causa e efeito é o livre-arbítrio.

O livre-arbítrio é a nossa capacidade de escolha autônoma.

Ou seja, o indivíduo pode agir conforme seus próprios desejos e decisões.

Dessa forma, suas ações implicam em consequências.

Se pratica o bem, colhe na mesma moeda.

Por outro lado, se incita o mal, é isso que recebe de volta.

O livre-arbítrio está relacionado à consciência do ser.

3. Lei do Progresso

Entre as 10 leis morais que representam a divisão da lei natural de Deus está a lei do progresso.

Ela é baseada na ideia de que nós, seres humanos, somos dotados de intelecto para evoluir e fazer a Terra progredir.

Assim, quando desenvolvemos a nossa moral, contribuímos para o progresso da humanidade.

O amor (sentimento) e a sabedoria (conhecimento) são as asas que levam os homens à sua evolução espiritual.

Leia também: Lei de Causa e Efeito: o que é e como funciona no Espiritismo?

O que é o Espiritismo e o que NÃO É Espiritismo

Pela semelhança dos termos, muita gente confunde Espiritismo com espiritualismo.

Espiritualismo é a crença na existência e sobrevivência da alma  somente.

O Espiritismo, portanto, se baseia no espiritualismo, assim como outras doutrinas e religiões, mas vai além, apresentando as provas da reencarnação, o que não é aceito por outras doutrinas religiosas.

Por falar em religião, o Espiritismo é considerado uma religião diferente, baseada na fé raciocinada e não em dogmas.

Afinal de contas, não tem culto, não tem rito, templos ou outros elementos que a constituem.

A Doutrina Espírita é, na verdade, uma  doutrina científica, filosófica e de consequências religiosas baseadas na moral de Jesus Cristo.

O Espiritismo também é uma religião cristã que considera  Deus como um Pai soberanamente justo e bom.

Ele é o Consolador Prometido por Jesus, que veio para relembrar e fortalecer os seus ensinamentos e ampliá-los com os elementos dos novos conhecimentos, além de esclarecer assuntos que não eram possíveis devido à imaturidade da humanidade na época em que Jesus viveu.

Como vimos no início deste artigo, o Espiritismo surgiu na França, portanto, não tem quaisquer raízes africanas.

Leia também: Amigos espirituais: quem são os nossos protetores espirituais?

Qual é o símbolo do Espiritismo?

O Espiritismo não tem um símbolo de imagem ou ícone visual.

O desenho da videira, encontrado em O Livro dos Espíritos, acaba sendo uma ilustração bastante conhecida, mas não pode ser usada como um simbolismo.

No contexto de referência, a Doutrina Espírita se inspira em Jesus Cristo.

Ele é considerado o maior guia e modelo da humanidade.

Cristo é o principal praticante do bem e da caridade, atitudes essenciais que caracterizam um verdadeiro espírita.

Por que frequentar o Centro Espírita?

Os recém-adeptos ou simpatizantes da Doutrina Espírita podem ter dúvidas quanto à funcionalidade do centro espírita.

Engana-se quem acredita que o lugar é direcionado apenas para médiuns e para o desenvolvimento da mediunidade.

O centro espírita, na verdade, é um espaço dedicado ao estudo e à prática dos princípios e conhecimentos do Espiritismo.

Por essa razão, frequentar um centro espírita é uma forma de aprender e exercitar os ensinamentos.

É também uma forma de se conectar com o plano superior.

Além disso, o centro espírita fornece outras atividades, como passe espírita, evangelização, atendimento fraterno e principalmente o trabalho social em favor dos menos favorecidos e muito mais.

Para saber mais a respeito do tema, leia este artigo que preparamos sobre centro espírita.

5 livros sobre os princípios da doutrina espírita – A Codificação

A codificação espírita é um conjunto de cinco obras escritas por Allan Kardec.

Os livros representam a base do Espiritismo.

Ou seja, trazem todos os conhecimentos sobre a doutrina.

1 – Livro dos Espíritos

O Livro dos Espíritos, lançado em 1857, é o primeiro dos cinco livros da codificação espírita.

Nele, estabelecem-se os princípios básicos do Espiritismo com respostas para perguntas endereçadas aos Espíritos com a ajuda de diversos médiuns.

Allan Kardec estruturou a obra em quatro grandes partes, intituladas: Livro Primeiro – As Causas Primeiras; Livro Segundo – Mundo Espírita ou Dos Espíritos; Livro Terceiro – Leis Morais; e Livro Quarto – Esperanças e Consolações.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec fala sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o futuro da humanidade.

2 – Livro dos Médiuns

A segunda obra publicada foi O Livro dos Médiuns, em 1861.

Este livro trata das manifestações espíritas e dos médiuns.

Ao longo dos capítulos, Kardec discorre sobre os meios de comunicação com o mundo espiritual, o desenvolvimento da mediunidade e as dificuldades que podem ser encontradas na prática do Espiritismo.

É, portanto, um verdadeiro manual para as atividades mediúnicas.

3 – O Evangelho Segundo o Espiritismo

Baseado em instruções de espíritos superiores, O Evangelho Segundo o Espiritismo, lançado em 1964, reflete o código divino.

Isto é, explica os ensinamentos morais de Cristo e convida os leitores a vivenciá-los.

Além da interpretação espírita sobre os textos evangélicos, o livro reúne uma coletânea de preces espíritas, divididas em cinco categorias: preces gerais, preces para si mesmo, preces pelos vivos, preces pelos mortos e preces especiais para os doentes e os obsidiados.

O Evangelho Segundo o Espiritismo serve ainda de recurso para a prática do Evangelho no Lar.

É considerado um livro de cabeceira para os espíritas.

4 – O Céu e o Inferno

O Céu e o Inferno, lançado em 1865, é a quarta obra da codificação espírita.

O livro é dividido em duas partes.

Na primeira, Kardec coloca em xeque vários assuntos, numa espécie de exame comparativo em relação às outras doutrinas.

Já na segunda parte, a partir de diálogos com os espíritos, ele expõe relatos de experiências do mundo espiritual.

Nesta obra, são tratados temas como o temor da morte, anjos, demônios, a consciência dos espíritos e os destinos do após o desencarne.

5 – A Gênese

A Gênese é o último livro da codificação espírita, com lançamento em 1868 – um ano antes do desencarne de Allan Kardec.

Nesta obra, Kardec fala sobre a criação da humanidade e do mundo material.

O conteúdo é estruturado em três partes.

Na primeira, ele aborda a formação dos mundos e a criação dos seres animados e inanimados.

Já a segunda é destinada aos milagres sob a ótica da Doutrina Espírita.

E, na parte final, Kardec explica sobre as predições.

Leia também: Céu e Inferno, segundo o Espiritismo: o que é, como funciona?

Conclusão

Os princípios do Espiritismo sustentam toda a prática da doutrina.

Por essa razão, antes de se aprofundar em outros temas, é fundamental ter clareza quanto às premissas básicas.

Agora que você já sabe quais são elas, vale dedicar um tempo para fazer a leitura das obras que compõem a codificação da Doutrina Espírita.

Em paralelo, você pode acompanhar outros artigos disponíveis em nosso blog sobre o Espiritismo.

Gostou deste conteúdo sobre princípios do Espiritismo? Então, aproveite o espaço ao final do texto para escrever o seu comentário.

Se ficou com alguma dúvida, entre em contato conosco.

E, ainda, se quiser ver outro tema sendo abordado por aqui, faça uma sugestão de assunto para a nossa equipe pelo formulário de contato.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *