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Videira e Espiritismo: o que significa a cepa da uva na doutrina espírita?

videira espiritismo

Você já deve ter percebido o desenho da videira relacionado ao Espiritismo.

Na obra O Livro dos Espíritos, por exemplo, há a ilustração de uma cepa de uva.

A imagem da vinha não foi escolhida por acaso.

Esta arte tem origem mediúnica, expressamente indicado para ilustrar o referido livro.

Desde então, a videira tem sido usada pelos adeptos da Doutrina Espírita, ainda que não seja propriamente um símbolo da filosofia do professor Rivail, representa, segundo os Espíritos, “o emblema do trabalho do Criador”.

Neste artigo, você vai conhecer a origem do ramo da videira espírita e o significado de cada uma das partes da vinha.

Acompanhe!

Origem do ramo da videira espírita

Cepa espirita

Como sabemos, Jesus Cristo empregava muitas parábolas.

Esse estilo de linguagem adotado servia para ensinar os seus discípulos de um jeito mais simples e o conhecimento podia ser transmitido através de narrativas de histórias com um fundo moral e ser passada de geração a geração.

Em uma de suas comparações, Jesus se intitulou uma videira:

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.Toda vara em mim que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenha falado. Estai em mim, e eu, em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer”. (João 15.1-5)

Com essas palavras, Jesus Cristo promoveu um valioso ensinamento, de que devemos seguir os caminhos dele , que sempre representará nosso modelo e guia, para que sejamos capazes de produzir bons frutos.

A verdade é que, além dessa passagem, as videiras foram bastante usadas simbolicamente nas escrituras para representar o relacionamento de Jesus com os seus discípulos, além de determinados princípios universais.

Algo parecido também aconteceu com o Espiritismo.

O significado da Cepa de Uva ilustrado no Livro do Espíritos

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Cepa espírita ou ramo da videira espírita reproduzida em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec

Para entender qual o significado da cepa de vinha, vale conhecermos mais sobre a videira.

Allan Kardec recebeu uma comunicação mediúnica, assinada por várias entidades espirituais, cujo texto seria utilizado dentro do prefácio da obra dos Livros dos Espíritos, intitulado “Prolegômenos”.  No ínterim desta comunicação, um parágrafo assim se expressa:

“Coloca no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é o tronco; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem purifica o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo é que o Espírito adquire conhecimentos.”

Foi, então, que surgiu o ramo da videira espírita.

É importante salientar, no entanto, que o Espiritismo não tem um símbolo de imagem ou ícone visual.

O desenho da videira acaba sendo uma ilustração bastante conhecida – e com um importante significado, mas não pode ser tratado como um simbolismo.

Significado da Videira

A videira é a planta da uva, que também pode ser chamada de vinha e de parreira.

Ela é uma trepadeira constituída de tronco retorcido, ramos flexíveis, folhas grandes e flores esverdeadas em ramos que se tornam o fruto da uva.

Embora dependa da variedade, do clima e das características do solo, nos primeiros anos após serem plantadas, as videiras não produzem frutos.

Isso porque precisam se fortalecer para suportar o peso das uvas que serão produzidas.

Antes da fase de colheita, as vinhas passam por diferentes estágios, como a brotação, o crescimento, a floração, a pintura e a maturação.

É, portanto, um cultivo lento, que requer paciência e dedicação.

Evolução Espiritual

Assim também é o nosso despertar e evolução espiritual, concorda?

Essa é uma das razões para o uso da videira como comparação à vida.

Conforme vimos, no Espiritismo, ela é o emblema do trabalho do Criador.

Além de afirmar essa relação, a Espiritualidade também explicou a representação de cada um dos elementos.

Veja a seguir:

A uva

Na mensagem enviada a Kardec, publicada em “Prolegômenos”, há o seguinte trecho: “a alma ou espírito unido à matéria é o bago”.

O bago é, na verdade, o nome usado para designar o fruto.

No significado da ilustração, portanto, a uva representa o perispírito, que é a ligação entre o espírito encarnado (físico) e a alma.

O suco da videira

O suco da videira, ou seja, o líquido da uva, é o espírito.

Trata-se, portanto, do princípio inteligente, da própria essência do ser.

Dentro do suco está o licor

O licor, por sua vez, é resultado do trabalho feito com o suco.

É uma espécie de destilação, que transforma o espírito em um ser mais evoluído.

O ramo

O ramo, ou galho da videira, é o que dá sustentação aos frutos.

Na ótica da espiritualidade, simboliza o corpo humano.

É a forma física que serve de instrumento para a vida do espírito no mundo material.

Livro: Caminho, Verdade e Vida – A videira

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A obra Caminho, Verdade e Vida, do espírito Emmanuel, foi psicografada pelo médium Chico Xavier e publicada pela primeira vez em 1949.

O livro é uma interpretação dos textos evangélicos.

Entre os textos sagrados abordados está o da Videira.

Com base nas palavras proferidas por Jesus Cristo, Emmanuel discorre:

“Deus é o Criador Eterno cujos desígnios permanecem insondáveis a nós outros. Pelo seu amor desvelado criam-se todos os seres, por sua sabedoria movem-se os mundos no Ilimitado.

Pequena e obscura, a Terra não pode perscrutar a grandeza divina, O Pai, entretanto, envolve-nos a todos nas vibrações de sua bondade gloriosa.

Ele é a alma de tudo, a essência do Universo.

Permanecemos no campo terrestre, de que Ele é dono e supremo dispensador.

No entanto, para que lhe sintamos a presença em nossa compreensão limitada, concedeu-nos Jesus como sua personificação máxima.

Útil seria que o homem observasse no Planeta a sua imensa escola de trabalho; e todos nós, perante a grandeza universal, devemos reconhecer a nossa condição de seres humildes, necessitados de aprimoramento e iluminação.

Dentro de nossa pequenez, sucumbiríamos de fome espiritual, estacionados na sombra da ignorância, não fosse essa videira da verdade e do amor que o Supremo Senhor nos concedeu em Jesus Cristo.

De sua seiva divina procedem todas as nossas realizações elevadas, nos serviços da Terra. Alimentados por essa fonte sublime, compete-nos reconhecer que sem o Cristo as organizações do mundo se perderiam por falta de base.

N’Ele encontramos o pão vivo das almas e, desde o princípio, o seu amor infinito no orbe terrestre é o fundamento divino de todas as verdades da vida.”

Conclusão

videira uva

Assim como a orientação de colocar a cepa da vinha na capa da primeira obra da codificação espírita, os Espíritos designaram outros termos a Kardec, como o seguinte:

“Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teus outros trabalhos, porquanto esta é apenas uma parte da missão que te está confiada e que já um de nós te revelou.”

O trecho, publicado em “Prolegômenos”, dá clareza ao propósito do Espiritismo, de reforçar e complementar o ensinamento evangélico.

Cristo foi enviado por Deus para trazer os fundamentos da verdade e do amor, ou seja, colocar em prática as leis divinas.

Suas lições foram adaptadas ao grau de avanço moral dos discípulos.

Essa é uma das razões para usar tantas parábolas e associações.

Jesus foi o primeiro Consolador e o único em presença física.

Antes de partir, ele prometeu um novo consolador para a humanidade, quando esta estivesse pronta para receber mais ensinamentos.

O Consolador Prometido por Jesus é o Espiritismo.

Em O Livro dos Espíritos, o papel da Doutrina é estabelecido:

“O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para ouvir.” O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores. […] Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da Lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”

Vale lembrar que o Espiritismo surgiu na França, em 1857, por Hippolyte Léon Denizard Rivail, um pedagogo e educador que usava o pseudônimo Allan Kardec.

O professor Rivail, como era conhecido, interessou-se pelos fenômenos das “mesas girantes” e embarcou em uma investigação para entender como aconteciam as comunicações com os espíritos.

Suas descobertas, as comunicações dos Espíritos Superiores e todo o grande trabalho da Codificação, se transformaram em livros, que deram origem ao Espiritismo.

Para conhecer mais sobre a doutrina, leia o artigo Princípios do Espiritismo: Os 7 princípios da Doutrina Espírita”.

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