Espiritismo x Espiritualidade: Principais diferenças na visão de Kardec

Espiritismo x Espiritualidade: você sabe a diferença?

Essa dúvida se estende a muitas pessoas, inclusive, àquelas que ainda estão engatinhando nos ensinamentos da Doutrina Espírita.

Se você acredita que espiritualidade e Espiritismo são conceitos iguais, é importante acompanhar este artigo.

Nas próximas linhas, você vai entender a diferença entre os dois, e vai conhecer os princípios básicos do Espiritismo.

Boa leitura!

Espiritismo x Espiritualidade: a visão de Allan Kardec

Logo no início de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec faz questão de elucidar a diferença entre vocábulos muito parecidos que podem causar confusão com o conceito de Espiritismo.

São as palavras espiritual, espiritualista e espiritualismo, que representam a crença em alma, Deus e forças universais.

Ou seja, a espiritualidade se opõe à ideia da existência única do materialismo.

Espiritismo, por sua vez, é o nome da doutrina codificada por Kardec, que também pode ser chamada de Doutrina Espírita, e diz respeito aos princípios das relações entre o mundo material e espiritual.

Os adeptos do Espiritismo são chamados de espíritas ou de espiritistas.

Allan Kardec afirma :

“ESPIRITUALISMO – crença na existência de uma alma espiritual, imaterial, que conserva sua individualidade após a morte, abstração feita da crença nos Espíritos. É o oposto ao Materialismo. Quem quer que acredite que em nós nem tudo é matéria é espiritualista; mas não se segue por isso que admita a doutrina dos Espíritos. Todo espiritista é necessariamente espiritualista; mas é possível ser-se espiritualista sem ser espírita. O materialista não é uma coisa nem outra. Como são duas idéias essencialmente distintas, tornava-se necessário as distinguir por palavras diferentes, a fim de evitar qualquer equívoco. Mesmo para aqueles que consideram o Espiritismo como uma coisa quimérica, ainda é necessário designá-lo por um nome especial: isto tanto se faz preciso para as idéias falsas quanto para as verdadeiras, a fim de que nós possamos entender. (Vide Materialismo e Espiritismo).”

 

O que é Espiritismo? Características principais

No livro “O Espiritismo em sua mais simples expressão” encontra se uma definição ideal sob o Espiritismo:

“Em resumo, Espiritismo adoça a amargura das tristezas da vida; acalma os desesperos e as agitações da alma, dissipa as incertezas ou os terrores do futuro, elimina o pensamento de abreviar a vida pelo suicídio; da mesma forma torna felizes os que aderem a ele, e está aí o grande segredo de sua rápida propagação.

Do ponto de vista religioso, Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, a imortalidade, as penas e as recompensas futuras; mas ele é independente de qualquer culto particular. Seu objetivo é provar aos que negam ou duvidam que a alma existe, que ela sobrevive ao corpo, que ela sofre depois da morte as consequências do bem e do mal que fez durante a vida corpórea; ora, isto é de todas as religiões.”

O Espiritismo surgiu na França, em 1857, por Hippolyte Léon Denizard Rivail, que usava o pseudônimo Allan Kardec.

Kardec era um pedagogo e educador francês, bastante inteligente, que não acreditava em fenômenos paranormais.

Diante de algumas atividades que envolviam a comunicação com os Espíritos naquela época, ele decidiu provar que aquilo tudo era uma farsa e iniciou a sua própria investigação.

No entanto, acabou constatando a existência do mundo espiritual e o contato dos Espíritos com o mundo físico.

Foi então que ele começou um trabalho de codificação, no qual fazia perguntas aos Espíritos.

Depois disso, ele compilou as respostas e escreveu O Livro dos Espíritos, a primeira das cinco obras que compõem a Codificação da Doutrina Espírita.

Em outro de seus livros, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec usa as seguintes palavras para esclarecer a doutrina:

“O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.”

O Espiritismo, portanto, surgiu para desenvolver as ideias de Cristo e dar sentido ao que, até então, era inexplicável ou não revelado.

Diante disso, a doutrina se estabelece a partir de cinco princípios básicos:

1. A existência de Deus

Para a Doutrina Espírita, Deus é um princípio fundamental.

O Espiritismo entende que todo efeito tem uma causa e nada acontece por acaso.

O Universo, por exemplo, é estruturado e, para crer em Deus, basta olhar as obras da criação.

Desse modo, Deus não é algo místico, mas, sim, a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.

Como definido em O Livro dos Espíritos:

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom. Criou o Universo, que compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.

2. A existência e a imortalidade da alma

Outro princípio básico do Espiritismo é a existência e a imortalidade da alma.

Isso quer dizer que Deus criou os seres materiais, que constituem o mundo corporal, e os seres imateriais, que constituem o mundo espírita, ou seja, são os Espíritos.

Os Espíritos revestem provisoriamente um corpo material, cuja destruição, que acontece com a morte, torna-os livres.

Em outras palavras, os Espíritos sobrevivem à carne.

E o que liga o Espírito ao corpo é o perispírito.

Portanto, Kardec, em O Livro dos Espíritos, elucida a alma da seguinte forma:

A alma é um Espírito encarnado, do qual o corpo não é senão um envoltório.”

3. Pluralidade das existências

Se a alma é imortal, isso significa que as existências são plurais.

As diversas encarnações é que permitem aos Espíritos a oportunidade de aprender e evoluir até livrar-se das imperfeições.

Esse progresso se dá por meio da expiação ou de missões que lhe são impostas.

As reencarnações são sempre na espécie humana.

Além disso, cada Espírito tem um grau distinto de adiantamento, ou seja, pertence a uma ordem diferente na escala evolutiva.

Os Espíritos da terceira ordem pertencem às classes inferiores e são caracterizados pela ignorância, o desejo do mal e outros aspectos que atrasam o progresso.

Os que se encontram na segunda ordem estão no meio da escala e ainda têm um caminho a percorrer e provas a suportar.

Já os Espíritos da primeira ordem são Espíritos superiores, que se distinguem pela perfeição, pela pureza e pela aproximação a Deus.

Como Kardec explica em O Livro dos Espíritos, a evolução é sempre superior, mas a transformação é individual:

As diferentes existências corporais do Espírito são sempre progressivas e jamais retrógradas; mas a rapidez do progresso depende dos esforços que fazemos para atingir a perfeição.”

4. Pluralidade dos mundos habitados

Assim como há a pluralidade das existências, há a pluralidade dos mundos habitados.

Ou seja, nem todas as encarnações acontecem na Terra.

A Terra é um mundo de provas e expiações.

Ela corresponde a um lugar onde ainda predomina o mal.

Por isso, os Espíritos que aqui encarnam precisam passar pelas vivências que este mundo proporciona.

A Terra ainda caminha para se tornar um mundo de regeneração.

Ou seja, um planeta onde o bem predomina.

Existem ainda outros mundos habitados, como os primitivos, os ditosos e os celestiais.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec afirma sobre a pluralidade dos mundos:

Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.”

5. Comunicabilidade dos Espíritos

Por fim, o último princípio básico do Espiritismo, que é a comunicabilidade dos Espíritos.

Essa comunicação é realizada tanto com bons quanto com maus Espíritos, e cada uma dessas classes nos solicita para o bem ou para o mal, respectivamente.

O contato com o mundo espiritual pode ser espontâneo ou por evocação.

Na primeira forma, são os Espíritos que se manifestam voluntariamente.

Já no segundo modelo, eles são chamados.

Também em O Livro dos Espíritos, Kardec menciona que as comunicações dos Espíritos com os homens são constantes e elas acontecem de duas maneiras:

As ocultas ocorrem pela influência, boa ou má, que eles exercem sobre nós com o nosso desconhecimento (…). As comunicações ostensivas ocorrem por meio da escrita, da palavra ou outras manifestações materiais, e mais frequentemente, por intermédio dos médiuns.”

 

Diferenças de ser espírita x ser espiritualista

Até aqui, você já sabe que o espiritualista é quem crê em Deus, em alma e em forças universais, certo?

Dessa forma, pode-se dizer que a maioria das religiões é espiritualista.

O católico, o protestante, o umbandista, o candomblecista, o judeu e o islâmico são exemplos de espiritualistas.

A similaridade da espiritualidade com o Espiritismo, praticamente, se encerra na oposição ao materialismo.

A partir daí, as diferenças da doutrina são notórias.

As principais características que distinguem o Espiritismo de outras correntes filosóficas é a crença na evolução do Espírito, na reencarnação como espécie humana e na comunicação com o mundo espiritual, além da ausência de cultos e cerimônias.

“Hoje creem e sua fé é inabalável, porque assentada na evidência e na demonstração, e porque satisfaz à razão. […] Tal é a fé dos espíritas, e a prova de sua força é que se esforçam por se tornarem melhores, domarem suas inclinações más e porem em prática as máximas do Cristo, olhando todos os homens como irmãos, sem acepção de raças, de castas, nem de seitas, perdoando aos seus inimigos, retribuindo o mal com o bem, a exemplo do divino modelo.” (KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1868. 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. p. 28, janeiro de 1868.)

 

Por que as pessoas confundem espiritualidade com Espiritismo?

A origem e o sentido radical das palavras é uma das razões para a confusão entre espiritualidade e Espiritismo.

Mas não é a única explicação.

O Espiritismo, de fato, advém de uma filosofia espiritualista.

Isso é, a Doutrina Espírita crê na existência dos Espíritos e na comunicação com o mundo espiritual.

Essa, por sua vez, é a essência da espiritualidade.

 

Conclusão

Após ler este artigo, ficou clara a diferença entre espiritismo e espiritualidade, não é mesmo?
Todo espírita é um espiritualista, mas nem todo espiritualista é um espírita.
O Espiritismo tem a mesma base da espiritualidade, no que diz respeito à crença em Deus e na alma, mas é uma doutrina, que explica a relação entre o mundo físico e o espiritual.

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