Espiritismo: o que é, história, fundamentos e principais obras

O que é o Espiritismo?

Em épocas remotas já encontramos na história a relação dos homens com o mundo dos Espíritos. Acompanhe este artigo e conheça mais sobre a doutrina espírita.

Espiritismo: relação material e espiritual

O sobrenatural já exigiu muitas refutações, críticas e opiniões de diversos filósofos, de Sócrates à Kant, de Hipócrates à Hegel.

A relação material/espiritual era real, mas ainda na ignorância de muito fatos capazes de produzir o esclarecimento para aquelas consciências, a maioria das afirmações destes nobres pensadores recomendava aguardar o avançar da ciência que, sem poder tocar pela frieza do bisturi ou outros instrumentos científicos, jamais poderia aceitar a plenitude desta realidade.

No avançar inexorável do tempo, surge uma nova Ciência, o Espiritismo. A Ciência capaz de estudar o Espírito, trazendo luz para obscuridade dos conhecimentos sobre o assunto.

Allan Kardec foi o responsável por realizar a metodologia do estudo e organização para o desenvolvimento desta Ciência, pelas inúmeras informações obtidas pelos Espíritos que já viveram na Terra.

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O que é o Espiritismo?

O Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail, um mestre na temática da educação e profundo estudioso do magnetismo, tem contato com as mesas girantes no ano de 1854, por convite do seu amigo Fortier.

As mesas eram a atração das noites francesas, grande divertimento para grande massa, mas aos olhos de uma pessoa séria, Kardec afirma que “uma mesa sem nervos e cérebro não poderia apresentar uma resposta inteligente, até que me provem ao contrário” (1).

Descobrir que não era a mesa, mas sim os Espíritos que já viveram na Terra que davam as respostas, lhe traz ainda profundas reflexões. Com razão, pensava o insigne codificador, que como se tratavam de Espíritos que viveram na Terra, havendo aqui gênios mas também ignorantes, não poderia acreditar em tudo que dali se manifestasse.

O Livro dos Espíritos

Em 18 de abril de 1857 é lançada a obra “O Livro dos Espíritos”. Nesta ocasião, o professor Denizar Rivail adota o pseudônimo Allan Kardec, nome que foi seu em anterior reencarnação, onde exerceu a personalidade de um druida, com a intenção de levar à Humanidade uma obra dos Espíritos e não de um único homem.

Filosofia, ciência e religião, seriam os ideais que sustentariam como base os ensinamentos coordenados pelo Espírito da Verdade, nos trazendo do mundo Espiritual o Consolador Prometido.
Perguntas como:

  • De onde vim?
  • Para onde vou?
  • O que faço aqui?

Sempre estiveram assombrando grande parcela das pessoas em todas as épocas.

Comunicação com os Espíritos

Surge uma proposta de dar sentido para vida, a partir do conhecimento sobre a própria vida, considerando alguns princípios, tais como, a imortalidade da alma, a reencarnação, Deus único, comunicabilidade com os Espíritos e pluralidade dos mundos habitados.

Leis naturais que retiram o véu, para que possamos enxergar com clareza a vida na realidade espiritual nesta passageira jornada material.

Após o ano de 1857 com o lançamento da obra base da doutrina, “O Livro dos Espíritos”, compreendemos através das 1019 perguntas e respostas, luzes clareando sombras que até então aguardavam respostas de uma ciência material, explanadas agora a ponto de satisfazer a razão em uma ciência já não do corpo, mas do infinito.

Em 1859 é lançado o livro “O que é o Espiritismo? Conhecimento do mundo invisível, pelas manifestações dos espíritos” (2), contendo o resumo dos princípios da doutrina Espírita e respostas às objeções.

Allan Kardec e a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

Allan Kardec, em 1858 funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e também a Revista Espírita, que seria o grande laboratório, aonde iria analisar mensagens, refutar críticas e analisar a diversidade dos ensinamentos até então sobrenatural.

Com a base estruturada numa época em que filósofos e religiosos apresentavam críticas e descréditos sobre tantas ideias nascentes na época, o Livro dos Espíritos não somente ganha a atenção e crédito dos estudiosos franceses, mas a atenção de religiosos que se esforçavam para tentar sufocar a ideia, tentando segurar o progresso da consciência, dominada até a pouco pela fé cega, e o domínio religioso pleno das massas, inclusive das ciências. Mas esta ciência, a ciência Espírita, nasceria livre e firme para rebater de forma lúcida e com razão esclarecedora, as suas afirmações.

Revista Espírita

Todas as ameaças e afrontas dos aparentes dominadores atuais foram consideradas e na Revista Espírita, Allan Kardec apresentava refutações lógicas e claras, promovendo a possibilidade da verdadeira iluminação individual, apresentando que o poder de ascender é do próprio indivíduo, a liberdade da descoberta dos segredos do Céu e o do Inferno, capazes de consolar as almas, estaria agora acessível para Humanidade.

Em 1861 surge “O Livro dos Médiuns”, desde então o sobrenatural, os fenômenos e tudo o mais que até então era tratado com frivolidades para consultas mesquinhas com os Espíritos, começa a ter seu contato com a realidade, sem o véu da ignorância e do preconceito que turvava a visão dos interessados apenas nos efeitos, sem considerar as causas daqueles fenômenos, que cresciam na França e no mundo como jamais visto na história.

O verdadeiro sentido para construção da fé

Estruturado em Leis morais, o Espiritismo vem sendo a Religião com maiores índices de crescimento. Percebemos que isso acontece graças à necessidade íntima de cada indivíduo de descobrir o real motivo de seu existência, sem nenhum Salvador, mas exemplos, líderes, um caminho, para levar ao autodescobrimento e à auto iluminação.

Todo estudioso sério, que se permite navegar nas águas cristalinas desta ciência, percebe que o leme desta embarcação está sob o comando de Jesus, que seus ensinamentos esclarecidos nas luzes apresentadas pelos Espíritos, como a reencarnação, a comunicabilidade dos Espíritos, retratam o verdadeiro sentindo para construção da fé, aquela como nos apresentou Kardec “inabalável é somente a fé capaz de enfrentar a razão, face a face, em qualquer época da humanidade”.(3)

Novo significado

Viver na carne, estar na matéria, no corpo físico, mas podendo construir a realidade da vida espiritual, faz com que a visão dos sofrimentos e dores, facilidades e prazeres, aprendizados, vitórias e derrotas, tomem um novo significado.

Analisar as dificuldades sob ponto de vista do Espírito, nos traz o entendimento necessário para nossa resignação e abnegação.

Em Dezembro de 1868 Kardec realiza um discurso sobre a religião do Espiritismo, que apresentou parcialmente (4):

“Crer num Deus Todo-Poderoso, soberanamente justo e bom; crer na alma e em sua imortalidade; na preexistência da alma como única justificação do presente; na pluralidade das existências como meio de expiação, de reparação e de adiantamento intelectual e moral; na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos; na felicidade crescente com a perfeição; na equitativa remuneração do bem e do mal, segundo o princípio: a cada um segundo as suas obras; na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para nenhuma criatura; na duração da expiação limitada à da imperfeição; no livre-arbítrio do homem, que lhe deixa sempre a escolha entre o bem e o mal; crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; na solidariedade que religa todos os seres passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados; considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterno; aceitar corajosamente as provações, em vista de um futuro mais invejável que o presente; praticar a caridade em pensamentos, em palavras e obras na mais larga acepção do termo; esforçar-se cada dia para ser melhor que na véspera, extirpando toda imperfeição de sua alma; submeter todas as crenças ao controle do livre-exame e da razão, e nada aceitar pela fé cega; respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam, e não violentar a consciência de ninguém; ver, enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus: eis a religião do Espiritismo, religião que pode conciliar-se com todos os cultos, isto é, com todas as maneiras de adorar a Deus. É o laço que deve unir todos os espíritas numa santa comunhão de pensamentos, esperando que ligue todos os homens sob a bandeira da fraternidade universal.”

Sem rituais, cultos, mas o esclarecimento da leis naturais e leis morais que regem o Universo e determinam nossas vidas, encontramos um fonte de água viva, como propunha Jesus para mulher de Samaria, cuja água quando sorvida, será capaz de nos saciar para todo o sempre.

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História do Espiritismo

O Espiritismo nasce na França que recebe a semente no Livro dos Espíritos e inicia sua germinação, com os cuidados do insigne mestre de Lion, Allan Kardec, e faz com que raízes profundas se instalem nas consciências dos Homens, e no momento em que esta planta é transferida para o solo brasileiro, a sua essência permanece inatacada.

Sustentada por Bezerra de Menezes, fortalecida por Chico Xavier, tem nos dias atuais a proliferação da boa semente por um nobre semeador, Divaldo Pereira Franco.

Evangelho de Jesus

Divaldo Franco, através da sua oratória, dedicação e exemplo, restaura a pureza do Evangelho de Jesus, nas bases espíritas em muitos países e também em solo brasileiro, fazendo com que muitas árvores possam florescer e produzir novos frutos.

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (3)

Nos propõe o codificador, deixando a cada um de nós a possibilidade de escrever esta história, exemplificando todos os ensinamentos através de nossos atos, pelo esforço de testemunharmos uma ciência capaz de mover o indivíduo a filosofar sobre a vida, religar-se ao Criador e esforçar-se para vencer vícios, dominar instintos e paixões, conquistando virtudes e nobres sentimentos.

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Referências bibliográficas:

1. Livro dos Espíritos.
2. O que é o Espiritismo.
3. Evangelho segundo Espiritismo.
4. Revista Espírita, 11º ano, Nº 12, de dezembro de 1868.

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