Aborto na visão espírita: É uma transgressão às Leis Divinas? Quando é aceitável?

Você sabe o que é o aborto na visão espírita e como ele é encarado?

Este é um assunto que provoca grandes discussões na atualidade.

Nas últimas décadas, por exemplo, a pauta da descriminalização do aborto tem sido evidenciada com manifestações de apoio e contrárias à legalização da prática.

Um dos fatores elencados pelos opositores é o de que o feto já seria uma vida, ainda que situada no útero.

Além de aspectos relacionados à saúde e à sociedade, o aborto promove muitas reflexões sobre questões espirituais, sobretudo em relação à conexão corpo-alma.

Nos próximos tópicos, vamos esclarecer todos esses questionamentos sob a luz do Espiritismo.

É só continuar a leitura.

Aborto é pecado? Visão espírita sobre o aborto

Muito se debate sobre o feto ter alma.

Para o Espiritismo, o corpo é ligado ao espírito desde o momento da concepção.

A união, no entanto, é iniciada na fecundação, mas só se torna completa com o nascimento.

É como se o laço ficasse mais forte à medida que a gravidez avança.

Posto isto, do ponto de vista espiritual, interromper uma gestão voluntariamente constitui um crime às leis divinas pela interrupção voluntária de uma vida em desenvolvimento.

Alguns aspectos tratados pela doutrina espírita nos ajudam a entender esse raciocínio.

Vejamos a seguir:

Direitos e deveres espirituais

Assim como existem os direitos e deveres dos cidadãos no mundo físico, que são controlados pelas leis humanas, que se modificam com o tempo, há também os direitos e deveres espirituais, regidos pelas leis de Deus, imutáveis.

Conforme o Capítulo I da Parte Terceira de O livro dos Espíritos de Allan Kardec, atreladas à lei natural existem 10 leis morais: lei de adoração, do trabalho, de reprodução, de conservação, de destruição, de sociedade, de progresso, de liberdade, de igualdade e de justiça, amor e caridade.

Embora todas sejam relevantes, a última é a mais importante de todas, uma vez que resume as outras e garante o respeito aos direitos de cada um.

Em uma definição concisa, pode-se dizer que a lei de justiça, amor e caridade prega que se faça ao próximo aquilo que gostaria que fizessem a você.

Missão espírita

A missão espiritual pode ser entendida como o nosso propósito de vida.

Isso quer dizer que habitamos um corpo físico por uma razão.

Segundo o Espiritismo, a vida corpórea nos é dada para nossa evolução espiritual.

O planeta Terra é um mundo de provas e expiações caminhando para um mundo de regeneração.

Ou seja, um lugar em que os espíritos reencarnam para reparar erros e cumprir tarefas.

Portanto, todos aqueles que têm direito ao corpo como instrumento estão aqui para buscar seu aperfeiçoamento.

Livre-arbítrio

O livre-arbítrio é o poder de escolhas e decisões.

O indivíduo tem liberdade para agir conforme a sua vontade.

Mas é importante lembrar que as ações têm consequências. E que nossa liberdade tem seu limite na liberdade que o outro também a possui.

A lei de causa e efeito é um dos princípios fundamentais que regem o Universo.

Nada acontece por acaso.

Toda ação tem uma reação.

Portanto, o homem é livre para fazer suas escolhas, mas, também, é responsável pelas consequências delas.

Reencarnação e aborto

A reencarnação é o retorno do espírito em um novo corpo.

Ela representa a nossa chance de corrigir imperfeições.

Quando um aborto é provocado, a oportunidade do espírito de reencarnar e evoluir é cessada.

É uma privação para a alma, que não mais poderá suportar as provas designadas para o corpo que lhe serviria de instrumento.

Definições de aborto

Até aqui, tratamos do aborto de forma geral, mas é importante saber que, quando falamos sobre a prática como um crime às leis divinas, estamos nos referindo ao aborto provocado, um dos tipos de aborto.

Diferença entre o aborto espontâneo e aborto provocado

O aborto pode ser espontâneo ou provocado.

No caso do aborto espontâneo, a interrupção da gestação é natural ou acidental.

Ou seja, não há qualquer tipo de intervenção humana.

Já no aborto provocado, a interrupção da gravidez é voluntária.

Isso quer dizer que partiu de uma ação humana, com uma intenção bem definida.

Aborto na visão espírita: o que diz o Espiritismo quando a gravidez é interrompida?

Usando os conceitos que definem os tipos de aborto, podemos dizer que o aborto provocado é uma ação gerada pelo livre-arbítrio.

Afinal, a gestante ou o casal optou voluntariamente pela interrupção da gravidez.

Nesse caso, o Espiritismo entende que as leis de Deus foram feridas, uma vez que a decisão impossibilitou que um espírito viesse à Terra e cumprisse os seus planos.

Agora, com relação ao aborto espontâneo, a doutrina espírita explica que o evento tem por causa a imperfeição da matéria.

Além da formação inadequada do feto, o espírito pode, por exemplo, desistir da reencarnação.

Há também casos em que o aborto involuntário é consequência de vidas passadas, além de uma prova destinada aos pais.

Segundo o Livro dos Espíritos, que consequências têm para o espírito o aborto?

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec dedica uma parte para tratar das questões relacionadas ao aborto.

Na pergunta 357, ele faz o seguinte questionamento aos espíritos: “Que conseqüências tem para o Espírito o aborto?”

E lhe é respondido: “É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar.”

Onde fica o espírito do bebê na gravidez? Quando o espírito se conecta ao corpo?

De acordo com o Espiritismo, o espírito se une ao corpo no momento da concepção.

Sendo assim, durante toda a gestação, o espírito se liga ao corpo do bebê por um laço fluídico.

Este laço, por sua vez, vai se encurtando (se estreitando) até o momento que a mãe dá à luz a criança.

Finalmente, no nascimento, a ligação é completada.

Quando o aborto é aceitável?

Kardec, ao interrogar os espíritos sobre o aborto, fez a seguinte pergunta (359):

Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?

Os espíritos, então, disseram que “o preferível é que se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”

Aborto e estupro

Outra grande controvérsia que gira em torno do aborto é o ato decorrente do estupro.

De fato, a mulher que sofre violência sexual passa por um trauma profundo, e carregar um bebê fruto dessa agressão pode ser um árduo desafio.

Quando isso acontece, o mundo espiritual se movimenta para destinar à gestante todo o suporte necessário.

Ou seja, os espíritos protetores fornecem o amparo que a mulher precisa para enfrentar a situação e dar à luz a criança.

Caso a opção seja o aborto, a proteção divina extra lhe é retirada, e as consequências de seus atos recaem como qualquer ação praticada por livre-arbítrio.

Anticonceptivos e planejamento familiar

Dentre as leis morais, das quais já citamos, está a lei da reprodução.

No capítulo IX de O Livro dos Espíritos, Kardec questiona os espíritos sobre o assunto.

Em relação aos obstáculos à reprodução, os espíritos afirmam que Deus deu ao homem o poder de regrar a reprodução segundo as necessidades, mas sem abuso.

Eles dizem ainda que quando o homem detém a reprodução para satisfazer a sensualidade há predominância do corpo (matéria) sobre a alma (espírito).

Em psicografia, Joanna de Ângelis, o guia espiritual do médium Divaldo Franco, reforça esse aspecto e amplia a visão acerca dos métodos anticonceptivos e do planejamento familiar. (livro: Após a Tempestade, cap. 10)

Ela afirma que os filhos não são realizações fortuitas, mas, sim, procedem de compromissos firmados antes da reencarnação.

Diante disso, o homem tem o direito de programar a família que deseja e lhe convém, desde que essas decisões tenham caráter moral, ou seja, estejam sob as bênçãos do Evangelho.

Chico Xavier fala sobre aborto

Em 1971, Chico Xavier, um dos maiores médiuns brasileiros, concedeu uma entrevista ao programa Pinga-Fogo, da extinta TV Tupi.

Na ocasião, ele tratou de diversos temas importantes e explorou inúmeras questões relacionadas ao Espiritismo.

O aborto foi um dos assuntos abordados pelo médium durante o programa.

Ele contou a história de uma mulher que havia realizado seis abortos e, após seu desencarne, esteve em uma situação lastimável.

Além disso, as consequências de seus atos se estenderam também à nova reencarnação.

Chico relata que a mulher apresentava problemas físicos que a impediam de engravidar.

Essa parte da entrevista pode ser conferida em vídeo no YouTube. Assista:

Divaldo Pereira Franco fala sobre o aborto

Divaldo Franco, um dos mais importantes médiuns e palestrantes espíritas do país, também expõe sobre o tema do aborto.

No programa Transição, veiculado pela Rede TV, ele esclarece os principais questionamentos acerca do assunto.

A entrevista de Divaldo pode ser conferida em dois vídeos no YouTube.

Primeira parte:

 

Segunda parte:

Filme sobre o aborto: “Deixe-me viver” (2016)

Além das entrevistas esclarecedoras dos médiuns sobre o aborto, outros conteúdos podem complementar as lições e proporcionar ainda mais conhecimento em relação ao assunto.

É o caso do filme “Deixe-me viver”, cuja história é de autoria da médium Irene Pacheco Machado.

A trama gira em torno de Luiz Sérgio, um jovem espírita que é chamado para escrever livros sobre o Espiritismo, sendo um deles o “Deixe-me viver”, que dá nome ao longa-metragem.

Para cumprir a missão que lhe foi dada, Luiz embarca em uma jornada para resgatar espíritos que ainda sofrem as consequências de seus atos.

O filme pode ser alugado ou comprado na plataforma digital Looke.

Já o trailer está disponível no YouTube. Assista:

Saiba mais sobre a reencarnação

Ao longo deste texto sobre aborto na visão espírita, mencionamos algumas vezes a reencarnação.

Ela, que é um dos princípios-base do Espiritismo, fornece insumos valiosos para diversas questões da humanidade.

Para entender mais sobre o assunto, veja um artigo completo que preparamos:

Reencarnação existe? O que é, o que diz a Bíblia, para que serve?

Conclusão

Este conteúdo trouxe o tema do aborto na visão espírita.

No decorrer dos tópicos, explicamos como o Espiritismo enxerga a prática, baseando-se na lei de causa e efeito.

Respondendo à pergunta do título, podemos dizer que o aborto provocado confere um crime à lei de Deus, uma vez que impede a chance de um espírito reencarnar e ser submetido às provas e expiações que são necessárias para o seu progresso moral.

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