Princípio vital e fluido vital: qual é a diferença?

Princípio vital e fluido vital são dois termos recorrentes na literatura espírita.

Eles estão intimamente ligados à existência dos seres orgânicos na Terra.

Por essa razão, entender o que eles significam e a relação deles com a criação do universo é fundamental para compreender a vida.

Além disso, é a base para avançar nos princípios do Espiritismo.

Neste conteúdo, você confere aspectos importantes sobre o tema.

Vamos lá?

O que é o princípio vital?

O princípio vital é, basicamente, o que animaliza ou dá vida momentânea aos corpos orgânicos.

Para compreendê-lo genuinamente, é importante conhecer a trindade universal.

A trindade universal, conforme descrita na Questão de nº 27 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec, é constituída por Deus, e mais os dois elementos principais do universo: espírito e matéria que constituem o princípio de tudo o que existe.

E esta questão ainda esclarece que ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, grosseira demais para que o espírito possa exercer ação sobre ela.

O fluido universal está colocado entre o espírito e a matéria, e é suscetível de modificar-se pelas suas inúmeras combinações com a matéria e sob a ação do espírito, é capaz de produzir a infinita variedade das coisas que conhecemos e outras mais ainda que não experimentamos.

Para que a vida aconteça, é preciso animalizá-la, ou seja, unir a matéria ao princípio vital. E o princípio vital, como definem os Espíritos, dá a vida a todos os seres que o absorvem e assimilam. E assim, a vida é um efeito desse agente que exerce sua ação sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é a vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente.

Princípio Vital e Allan Kardec

Kardec, ao considerar essa composição da criação do universo, questionou os espíritos sobre o princípio vital ser mais um dos elementos:

(Pergunta 64) Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do universo. O princípio vital será um terceiro?

Resposta:

“É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois tudo isso deriva de um só princípio.”

Em outras palavras, o princípio vital deriva do fluido universal, e é um só para todos os seres orgânicos, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte.

Do fluido universal temos a origem de toda a matéria do universo e também do princípio vital que é o elo intermediário entre o espírito e a matéria.

O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos, impulsiona os órgãos e estes entretém e desenvolvem a atividade desse agente, como o atrito desenvolve o calor nos dispositivos mecânicos.

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Princípio vital e fluido vital: qual é a diferença?

Fluido vital também é um termo que aparece com frequência na literatura espírita.

Por isso, muitos estudantes da doutrina se questionam sobre haver diferença entre fluido vital e princípio vital.

Mas, na realidade, fluido vital e princípio espiritual são a mesma coisa.

Há ainda outras formas de denominação.

Agente vital, energia vital, fluido magnético, fluido nervoso e fluido elétrico animalizado também são sinônimos.

Qual a diferença entre ectoplasma e fluido vital?

Ectoplasma é outra palavra presente no dicionário espírita.

Trata-se de uma substância exteriorizada pelos médiuns.

Durante o transe, o ectoplasma é exalado pelos orifícios do corpo, como ouvidos, narinas, olhos, boca, entre outros.

Ao contrário do fluido vital, que não pode ser visto, o ectoplasma pode ser percebido na penumbra ou sob o efeito da luz.

Sua apresentação é viscosa e esbranquiçada.

O ectoplasma, na realidade, é uma combinação de fluidos, que inclui os fluidos do médium, dos espíritos e da natureza.

Outra característica importante é que o ectoplasma não pode ser produzido pelos espíritos.

Assim, a principal diferença entre ectoplasma e fluido vital é que o primeiro conecta o corpo espiritual ao organismo físico e só é produzido por encarnados, enquanto o outro é a energia que o espírito precisa para a sua experiência na carne.

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O que é energia vital no Espiritismo?

A energia vital é mais uma das formas que podem ser usadas para denominar o elemento que animaliza a matéria.

O termo “energia”, aliás, facilita o entendimento dessa substância que, por ser etérea, pode dificultar a compreensão.

A energia, em qualquer contexto, está associada à capacidade de produção de ação ou movimento.

Kardec, inclusive, no livro A Gênese, usa esse sentido para explicar o funcionamento do princípio, comparando-o à rotação de uma roda.

O calor, ou seja, a energia, é o que faz a roda girar.

Quando ele cessa, a roda para.

O mesmo acontece com o fluido vital.

Quando a energia acaba, o corpo morre.

Como recebemos fluido vital?

Nem todo mundo possui a mesma quantidade de fluido vital.

Ela pode variar não só entre espécies, mas também entre indivíduos.

Os que têm menos, normalmente, sentem-se mais enfraquecidos.

Por outro lado, os que têm em abundância são mais ativos, mais tenazes .

Esses, por sua vez, podem doar para os desprovidos.

Isso significa que o fluido vital, além de ser absorvido por um processo natural durante a ligação do corpo e espírito, também pode ser recebido de outras pessoas.

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Biomagnetismo é Espiritismo?

Biomagnetismo é um método terapêutico criado pelo cientista mexicano Isaac Goiz Durán no final da década de 1980.

Ele consiste na utilização de ímãs em regiões específicas do corpo para proporcionar a cura de diversas doenças.

Os ímãs atuam sobre as células do corpo, proporcionando o equilíbrio energético e do pH.

Sendo assim, é uma técnica que conecta a existência de patologias às cargas energéticas das moléculas que constituem o organismo humano, tratando-as com o auxílio de um instrumento.

Embora seja uma alternativa à medicina tradicional, tem caráter científico, e não espiritual.

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Magnetismo e Espiritismo

O biomagnetismo, do qual tratamos no tópico anterior, utiliza o magnetismo como ponto de partida.

O magnetismo está atrelado à atração entre campos magnéticos.

O funcionamento do imã é um dos grandes exemplos de magnetismo.

O fenômeno, no entanto, não se limita a objetos inanimados.

No Espiritismo, por exemplo, o magnetismo, como era conhecido à época de Kardec, é o mecanismo que possibilita a transferência do fluido vital.

Fluido magnético

Não é certo afirmar que magnetismo é Espiritismo, até porque o fenômeno serve para vários contextos.

Entretanto, a Doutrina Espírita se utiliza dele.

O fluido vital também é chamado de fluido magnético justamente por ter relação com esse processo de magnetismo, que era o fenômeno físico ao qual Kardec associou à ideia de transferência fluídica através de um campo de energia .

O indivíduo capaz de magnetizar é chamado de magnetizador ou fluidoterapeuta.

Ele transfere seu próprio fluido para outra pessoa.

Isso é feito, normalmente, com a imposição das mãos sobre o receptor e pensamentos elevados ao mundo espiritual.

Como o fluido é do magnetizador, ele carrega impressões pessoais, como características físicas e morais.

Desse modo, as propriedades do fluido dependem, de certo modo, do doador.

Magnetizadores mais evoluídos, por exemplo, possuem fluidos mais puros.

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Reflexões Alma e Princípio Vital por Allan Kardec

Allan Kardec, com a ajuda dos espíritos, é quem nos trouxe todos esses ensinamentos sobre o princípio vital na codificação espírita.

No capítulo IV de O Livro dos Espíritos – a primeira das cinco obras essenciais do Espiritismo -, ele aborda o assunto em diferentes partes, trazendo reflexões importantes sobre aspectos universais, como:

Seres orgânicos e inorgânicos

Kardec introduz o tema explicando o que são os seres orgânicos e inorgânicos:

“Os seres orgânicos são os que têm em si uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida. Nascem, crescem, reproduzem-se por si mesmos e morrem. São providos de órgãos especiais para a execução dos diferentes atos da vida, órgãos esses apropriados às necessidades que a conservação própria lhes impõe. Nessa classe estão compreendidos os homens, os animais e as plantas. Seres inorgânicos são todos os que carecem de vitalidade, de movimentos próprios e que se formam apenas pela agregação da matéria. Tais são os minerais, a água, o ar, etc.”

A partir disso, ele apresenta as perguntas feitas e as respostas dos espíritos.

Entre elas:

(Pergunta 61) Há diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e a dos inorgânicos?

Resposta:

“A matéria é sempre a mesma, porém nos corpos orgânicos está animalizada.”

(Pergunta 62) Qual a causa da animalização da matéria?

Resposta:

“Sua união com o princípio vital.”

(Pergunta 66) O princípio vital é um só para todos os seres orgânicos?

Resposta:

“Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade e os distingue da matéria inerte, porquanto o movimento da matéria não é a vida. Esse movimento ela o recebe, não o dá.”

(Pergunta 67) A vitalidade é atributo permanente do agente vital, ou se desenvolve tão-só pelo funcionamento dos órgãos?

Resposta:

“Ela não se desenvolve senão com o corpo. Não dissemos que esse agente sem a matéria não é a vida? A união dos dois é necessária para produzir a vida.”

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A vida e a morte

Kardec começa este item apresentando os questionamentos feitos aos espíritos.

(Pergunta 68) Qual a causa da morte dos seres orgânicos?

Resposta:

“Esgotamento dos órgãos.”

(Pergunta 70) Que é feito da matéria e do princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?

Resposta:

“A matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos. O princípio vital volta à massa donde saiu.”

E, depois disso, acrescenta comentários sobre o tema.

Confira um trecho:

“Morto o ser orgânico, os elementos que o compõem sofrem novas combinações, de que resultam novos seres, os quais haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, o absorvem e assimilam, para novamente o restituírem a essa fonte, quando deixarem de existir. Os órgãos se impregnam, por assim dizer, desse fluido vital e esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que as põe em comunicação entre si, nos casos de certas lesões, e normaliza as funções momentaneamente perturbadas. Mas, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital se torna impotente para lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre (…).”

Conclusão

Como vimos neste conteúdo, princípio vital e fluido vital são sinônimos do elemento responsável por dar vida aos corpos inertes.

Ele não está presente em todos os seres, apenas nos orgânicos, que são aqueles que nascem, crescem, se reproduzem e morrem.

Além disso, o princípio vital não tem quantidade absoluta, isto é, ele é diferente entre os seres.

Por essa razão, os magnetizadores podem transferir o elemento para aqueles que carecem.

Assim como o fluido vital está ligado à vida, ele também tem relação com a morte.

Isso porque quando ele cessa, o corpo perece .

O espírito, então, retorna ao plano espiritual, enquanto a matéria se decompõe e forma novos organismos.

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