Mesas Girantes e o Espiritismo (O Livro dos Espíritos)

As mesas girantes e o Espiritismo são termos que caminham lado a lado.
Isso porque o fenômeno das mesas que se moviam e os efeitos inteligentes que elas produziam, deram origem aos estudos filosóficos e científicos em todo o mundo.

Mas o conjunto desses fenômenos, analisados sob a ótica da existência e sobrevivência da alma e a comunicabilidade dos Espíritos, deram origem à Doutrina Espírita de Allan Kardec.
Você sabia disso?

Neste artigo, vamos contar um pouco dessa história e explicar o que são as manifestações físicas dos espíritos, além de abordar outros assuntos pertinentes.
Vamos lá?
É só continuar acompanhando o texto!

Mesas girantes e o Espiritismo

No século 19, um fenômeno paranormal agitou a Europa.

As pessoas se reuniam em volta de uma mesa e colocavam as mãos sobre ela e esperavam que acontecesse alguma coisa extraordinária. Devido à grande frequência com que os fenômenos aconteciam eles ficaram conhecidos como mesas girantes, mesas falantes ou dança das mesas.

As mesas se moviam, assim como outros objetos que eram colocados sobre elas, e também manifestavam outros tipos de comunicação, como batidas e ruídos. E ninguém sabia dizer a causa de tais fenômenos.

À época, as mesas girantes tornaram-se verdadeiros espetáculos que reuniram pessoas de todas as classes sociais para observá-los.

Mas isso ia além do entretenimento.

Confirmava-se a existência dos espíritos e a comunicação do mundo espiritual através da mediunidade, princípio básico do Espiritismo, que surgiu pouco tempo depois.

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Como as mesas girantes ajudaram na origem do Espiritismo?

As mesas girantes e outros fenômenos paranormais inspiraram o surgimento do Espiritismo.

Hippolyte Léon Denizard Rivail, emérito pedagogo e educador francês que presenciou o fenômeno se alastrando pela Europa, decidiu colocar em xeque a veracidade daquelas comunicações.

Ele, então, deu início à uma investigação sobre as mesas girantes.

Além de observar mais de perto as manifestações, o professor Rivail reuniu diversos médiuns e, com a ajuda deles, endereçou centenas de perguntas aos espíritos.

Ele esperava provar que as mesas girantes eram, na verdade,um fenômeno puramente científico explicado pelo magnetismo , mas acabou constatando a existência de algo muito superior em conhecimento e verdade.

Foi assim que seus estudos deram origem à codificação espírita, com cinco obras essenciais, e o Espiritismo começou a ser difundido na França, a partir do lançamento de O Livro dos Espíritos, publicado em 1857.

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Mediunidade: como se comunicar com os espíritos?

Mediunidade é o nome dado à capacidade de determinadas pessoas serem capazes de exercer a comunicação entre nós (encarnados) com os espíritos (pessoas desencarnadas).

De acordo com O Livro dos Médiuns (Questão 49) , a segunda das cinco obras da codificação espírita:

“Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumentos e de intérpretes.”

Cabe acrescentar ainda que, conforme descrito no cap. XXIV – item 12 em O Evangelho Segundo o Espiritismo, terceira das obras, “A mediunidade é inerente a uma condição orgânica, de que todos podem ser dotados, como a de ver, ouvir e falar.”

Isso quer dizer que todos os indivíduos são médiuns, em maior ou menor grau.

A diferença, portanto, é que alguns desenvolvem a faculdade mediúnica de forma ostensiva.

Além disso, é importante destacar que a mediunidade se manifesta de formas distintas.

Há médiuns sensitivos, com capacidade de cura, de incorporação, clariaudientes, clarividentes, psicofônicos, psicógrafos, etc.

“O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos Bons Espíritos e só por eles é assistido. É neste sentido, unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. XXIV – item 12)

Dessa forma, a mediunidade depende da capacidade do médium de expansão de seu perispírito (afastamento momentâneo do corpo físico), assimilação pelo Espírito comunicante (pela afinidade fluídica) e o desenvolvimento da comunicação em si, que pode ser realizada de diferentes maneiras.

No corpo físico, observamos que existe um envolvimento de um elemento endócrino na comunicação espiritual, ou seja, no exercício da mediunidade pelo médium. a comunicação com o mundo espiritual é manifestada por uma glândula localizada no centro do cérebro, na altura dos olhos, chamada de pineal ou epífise.

A pineal representa um “portal” intermediário entre os dois mundos.

O espírito André Luiz, por intermédio de Chico Xavier, revelou no livro Missionários da Luz que esse órgão fica todo iluminado quando os médiuns estão em ação:

“Enquanto o nosso companheiro se aproveitava da organização mediúnica, vali-me das forças magnéticas que o instrutor me fornecera, para fixar a máxima atenção no médium. Quanto mais lhe notava as singularidades do cérebro, mais admirava a luz crescente que a epífise deixava perceber (…). Examinei atentamente os demais encarnados. Em todos eles, a glândula apresentava notas de luminosidade, mas em nenhum brilhava como no intermediário em serviço.”

Portanto, para se comunicar com os espíritos, um dos passos é ativar a epífise.

Yoga, meditação e massagem na região dos olhos, especificamente entre as sobrancelhas, são algumas opções.

Músicas com boas vibrações e exercícios de relaxamento também ajudam.

Essas são práticas que auxiliam a conexão com a outra dimensão.

Contudo, somente isso não basta para se comunicar com os espíritos.

A mediunidade deve ser desenvolvida com muito cuidado.

O mais indicado é procurar um centro espírita de notória experiência no qual serão oferecidos cursos especiais para estudar as obras da Doutrina Espírita e aperfeiçoar as faculdades mediúnicas. O médium deverá também trabalhar em alguma atividade social, gratuita e voluntária no Centro Espírita. A Mediunidade e a Caridade sempre devem andar juntas para dar mais segurança e predicados morais ao médium e assim, atrair a simpatia dos espíritos superiores.

Manifestações físicas e mesas girantes

As mesas girantes são um exemplo de manifestações físicas ou de efeitos físicos, como também são chamadas, a materialização dos espíritos por exemplo.

Conforme O Livro dos Médiuns,

“Dá-se o nome de manifestações físicas às que se traduzem por efeitos sensíveis, tais como ruídos, movimentos e deslocação de corpos sólidos. Umas são espontâneas, isto é, independentes da vontade de quem quer que seja; outras podem ser provocadas.”

As mesas girantes, no caso, se enquadram nas manifestações provocadas.

Isso quer dizer que, para a produção do fenômeno, é preciso que um ou mais médiuns intervenham e solicitem a ação dos espíritos.

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Casos documentados sobre mesas girantes: Irmãs Fox – Hydesville

No mesmo período em que as mesas girantes se popularizaram na Europa, nos Estados Unidos, a imprensa noticiou o caso das irmãs Fox.

Em 1847, Katherine “Kate” Fox e Margaret “Maggie” Fox haviam se mudado para uma casa em Hydesville, no estado de Nova Iorque.

No ano seguinte, as irmãs começaram a escutar sons de batidas na parede e de móveis sendo arrastados.

Elas, então, decidiram se comunicar com a entidade espiritual e descobriram que se trava do espírito de Charles B. Rosma, um homem que havia sido assassinado em um dos cômodos do imóvel.

As manifestações ocorridas com as irmãs Fox e as mesas girantes na Europa compartilhavam o mesmo fenômeno: o dos efeitos físicos, que todos podemos presenciar sem necessariamente sermos médiuns desenvolvidos ou educados na mediunidade.

Tudo isso fez com que os estudos ganhassem ainda mais abrangência, divulgação e popularidade.

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Mesas Girantes em O Livro dos Espíritos

Como já tratamos neste artigo, um conjunto de fenômenos, incluindo o das mesas girantes deu origem ao estudo científico e filosófico de sua natureza, mas foram as constatações da existência de inteligências que produziam os fenômenos que acarretam posteriormente a Codificação do Espiritismo.

O professor Rivail, cujo pseudônimo era Allan Kardec, publicou cinco obras da codificação espírita, e a primeira delas foi o Livro dos Espíritos, trazendo os princípios e conhecimentos básicos da nova doutrina.

Allan Kardec e as mesas girantes

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, esclarece logo na introdução os principais aspectos a respeito da investigação realizada sobre as mesas girantes.

Ele esclarece as razões que o fizeram descartar as causas físicas e materiais.

Depois, Kardec conta que as primeiras manifestações indicavam apenas “sim” e “não”.

Em seguida, evoluíram para respostas mais elaboradas com a ajuda de letras do alfabeto.

Por fim, conseguiram aperfeiçoar a experiência de modo que, nas palavras dele, “as respostas revelam tal cunho de sabedoria, de profundeza e de oportunidade; exprimem pensamentos tão elevados, tão sublimes, que não podem emanar senão de uma Inteligência superior, impregnada da mais pura moralidade.”

No filme brasileiro que conta a história de Kardec, é possível acompanhar o fenômeno das mesas girantes.

Confira no trailer:

O que diz a ciência sobre o fenômeno das mesas girantes?

A ciência, de modo geral, é descrente em relação aos fenômenos de natureza extra-física.

Dessa forma, não seria diferente com as mesas girantes.

Na época em que as manifestações se tornaram frequentes, uma comissão nomeada pela Academia Francesa de Ciências, chefiada pelo químico Michel Eugène Chevreul, estudou os fenômenos espirituais.

No relatório final, a comissão apresentou a conclusão de que o fenômeno das mesas girantes era causado pelo movimento involuntário das mãos dos participantes.

Cabe dizer, no entanto, que diversos nomes da ciência da época discordam do consenso, como o químico William Crookes, o físico Oliver Lodge e o astrônomo Camille Flammarion. E esses nobres cientistas escreveram livros sobre seus experimentos provando a autenticidade dos fenômenos.

A ciência que estudou os fenômenos na época era chamada de Metapsíquica.

Hoje temos a Parapsicologia estudando os fatos e também a Neurociência e a Física Quântica.

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Mesas girantes e a mediunidade

Como vimos, o fenômeno das mesas girantes está ligado à mediunidade.

Após entender que se tratava de força física ou material, Allan Kardec constatou que as manifestações originavam-se também de uma força medianímica, que é a força gerada pelo corpo fluídico dos médiuns, dos fluidos e da vontade das entidades espirituais, para criarem todas as condições para que os fenômenos acontecessem.

Essa força, por sua vez, pode ter intensidade variada de acordo com a aptidão dos indivíduos.

Como vimos, as mesas girantes competem às manifestações físicas provocadas, que necessitam de intenção do médium.

Há também as manifestações físicas espontâneas ou naturais que ocorrem sem que o médium perceba, mas a sua presença é necessária.

Nesse caso, os espíritos se comunicam naturalmente, sem a solicitação do médium e, até mesmo, sem qualquer conhecimento espírita.

Mesas girantes evangelização

A história das irmãs Fox é um excelente gancho para abordar o tema das mesas girantes na Evangelização Infantil, tomando todos os cuidados necessários, é claro.

Em primeiro lugar, porque as irmãs eram crianças, o que faz com que os pequenos sintam mais aproximação com o caso.

Além de narrar os acontecimentos, o evangelizador pode torná-los mais lúdicos, com o auxílio de alguns recursos.

Pode-se, por exemplo, distribuir cartões com diversas frases que, no caso, são respostas para as perguntas que serão feitas.

À medida que os questionamentos são feitos, os evangelizandos devem procurar os cartões com as frases corretas.

Outra atividade que pode ser aplicada é a de palavras cruzadas, com os termos que competem ao assunto.

Ela ajuda a assimilar o conteúdo.

Cabe ainda a leitura de alguns materiais complementares, como o texto “Antecedentes do Espiritismo – Os fenômenos de Hydesville e as Mesas Girantes”, disponível em https://www.searadomestre.com.br/evangelizacao/antecedentefenomeno.htm.

Conclusão

Neste conteúdo, vimos como o fenômeno das mesas girantes despertou o interesse de estudiosos na época fazem parte da origem do Espiritismo.

Devido aos registros históricos antes desse período, existem diversos relatos das manifestações físicas que ocorreram antigamente.

Sabemos que elas existem há muito tempo.

Afinal, os fenômenos mediúnicos remontam à antiguidade.

As mesas são apenas um exemplo de objetos que ganharam destaque, mas a verdade é que os espíritos são capazes de mover e deslocar quaisquer que sejam os corpos sólidos.

Além dos fenômenos de efeitos físicos, há outras formas de comunicação com o mundo espiritual.

O canal é ilimitado, e a mediunidade é o que possibilita a interlocução com o lado de lá. E como disse Chico Xavier, “o correio acontece sempre de lá para cá”.

No futuro, as manifestações mediúnicas se tornarão corriqueiras em toda a humanidade terrestre.

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